Ateu, graças a Deus!

sábado, 21 de janeiro de 2012

De alianças a anéis

Filed under: Ateísmo, Bíblia, Deus — Tags:, , , , , , — Lealcy B. Junior @ 14:21:16

Por Fátima Tardelli
Uma coisa que sempre discuto com os cristãos é o livre arbítrio; muitas e muitas vezes perguntei a eles como deus teria dado um livre arbítrio ao homem (livre arbítrio esse que não seria desrespeitado) e, ao mesmo tempo, desrespeitado o de Jonas.

Sim, Jonas. Ele não queria de jeito nenhum ir pregar numa certa cidade e resolveu tomar um navio que ia na direção oposta. Deus mandou tempestades terríveis assolarem o navio, até que a tripulação desse navio descobriu que as tempestades estavam acontecendo porque Jonas teria desobedecido a ordem divina e jogaram o cara na água. Daí veio um peixe (ou uma baleia) e vocês já sabem o resto da estória.

Todas as pessoas para quem eu perguntei isso disseram que deus havia desrespeitado o livre arbítrio de Jonas porque Jonas fazia parte de um povo que tinha uma ‘aliança’ com Deus e essa aliança justificaria o tal desrespeito. Quando me respondem isso, eu torno a perguntar como Deus poderia ter desrespeitado o livre arbítrio do faraó, por ocasião do êxodo, já que dito faraó não fazia parte de um povo contratualmente vinculado por essa tal ‘aliança’.

Sim, o tal faraó teria querido deixar os hebreus irem embora, mas Deus teria endurecido o coração dele. O porquê desse endurecimento ninguém nunca conseguiu me explicar: se o objetivo era os hebreus, após libertos, irem em busca da terra prometida; o ato divino de endurecer o coração só fez postergar o alcance desse objetivo. Ou será que deus queria só uma desculpa para matar aquele mundaréu de egípcios?

Essa aliança divina não é, porém, o objetivo dessa postagem. O anel que quero falar é outro, muito mais importante: o Anel de Giges. Essa alegoria foi escrita por Platão (“A República”, II, 357-368); Giges era pastor e encontra um anel que o torna invisível. Ele veste o anel, vai até o palácio, seduz a rainha, mata o rei e toma-lhe o lugar.

A conclusão daí tirada seria essa: se existisse tal anel, ninguém preservaria a justiça, pois no momento em que qualquer um pudesse pegar sem medo o que bem entendesse sem que os outros soubessem do mal que fazia; todos tenderiam para o mesmo fim, não havendo portanto, diferença alguma entre o homem bom e o homem mau.

O que frearia os impulsos humanos para o mal seriam, portanto, a reprovação e a punição que receberíamos por nossas condutas. Não seríamos bons, seríamos hipócritas.

Mas não é bem assim que a banda toca. André Comte Sponville, no seu livro ”Tratado do desespero e da beatitude I’ (que no Brasil foi traduzido para ‘Viver’, sabe-se lá porque) convida o leitor a um teste: você tem o anel. Só por ter esse anel você se permitiria TUDO? Dar-se-ia ao luxo de estuprar, matar e roubar? Não. Se tivéssemos o anel certamente faríamos coisas que não nos permitiríamos sem ele; mas também existem coisas que, com ou sem ele, nos vedaríamos a fazer.

Os cristãos gostam muito de dizer ‘sem deus tudo é possível’; Datena foi um exemplo de tal comportamento, ao dizer que ‘quem não tem deus no coração é capaz de fazer tudo’. Ledo engano, o deles. A moralidade existe independentemente da religião, e se você só deixa de fazer coisas erradas porque é temente a deus (porque teme a ira dele e crê que sendo bom receberá uma recompensa); a bem da verdade você não é bom ou justo. Você é hipócrita e vendido.

Existem ateus canalhas, assim como existem religiosos canalhas. Do mesmo existem ateus bons e religiosos bons. A religiosidade ou a não-crença não tornam a pessoa boa ou má. E a aliança perfeita da humanidade seria aquela em que o ser humano se comprometesse a tentar ser o melhor que puder, independente do julgamento alheio ou da existência ou não de Deus.

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terça-feira, 20 de maio de 2008

Um marco importante na luta contra a discriminação baseada em dogmas religiosos

Filed under: Crítica, Sem noção — Tags:, , , — Lealcy B. Junior @ 17:56:41

Adaptação livre de Random Precision.

Mildred Delores Jeter Loving e Richard Perry Loving

Richard Perry Loving (29/10/1933 – 29/6/1975)

Mildred Delores Jeter Loving (22/6/1939 – 2/5/2008)

Os nomes de Richard e Mildred Loving ficarão para sempre ligados à luta pela igualdade racial nos Estados Unidos, e que culminou com a decisão proferida já em 1967 pelo Supremo Tribunal de Justiça daquele país que declarou a inconstitucionalidade das leis então ainda vigentes em 20 Estados da União, que não só proibiam mas até criminalizavam os casamentos entre pessoas de raças diferentes.

Segundo o obituário feito por José Cutileiro no “Expresso” desta semana (e de onde retirei parte dos elementos para este post) Richard Loving era filho e neto de brancos enquanto Mildred era “classificada” como preta no Estado da Virgínia, onde viviam. Foram amigos de infância, se apaixonaram e decidiram se casar.

Foram até à cidade de Washington, onde os casamentos inter-raciais não eram proibidos e voltaram para casa já casados, e penduraram na parede do seu quarto a certidão do casamento devidamente emoldurada.

Mas no dia 11 de Julho de 1958 a polícia arrombou a porta da casa onde viviam. Irrompeu de súbito no meio da noite no quarto onde dormiam e os prendeu sob a acusação de violarem a lei de integridade racial do Estado da Virgínia.

Foram julgados e condenados a um ano de prisão ou, como alternativa, ficarem proibidos de voltar a residir naquele Estado por 25 anos e perpetuamente impedidos de ali regressarem os dois juntos.

A sentença proferida ficará para sempre nos anais da História da Humanidade como um dos mais abjectos exemplos de discriminação entre os seres humanos.

E, como tantas vezes acontece quando à sua frente estão pessoas completamente destituídas dos mais básicos sentimentos de ética, são até os próprios Tribunais os primeiros a pactuarem e a acolherem como aberrante sinônimo de Justiça os mais chocantes abusos dos Direitos Humanos e os mais retrógrados sentimentos de intolerância que se conhecem e se podem conceber.

A justificativa dada pelo Tribunal que condenou Richard e Mildred Loving não podia ser mais clara e mais reveladora de onde provieram estes imbecis sentimentos de intolerância e ódio racial que indiscutivelmente a motivaram e obviamente fundamentaram.

De fato, a sentença os condenou pelo “crime contra a lei de anti-miscigenação do Estado e pelos crimes contra a paz e a dignidade da comunidade” pelo fato de “estarem a coabitar como se fossem marido e mulher”.

E a justificativa da sentença não podia ser mais esclarecedora:

“Deus todo-poderoso criou as raças branca, preta, amarela, malaia, e vermelha e as colocou em continentes separados. E, se não houvesse interferência com este Seu arranjo, não surgiriam casamentos assim. O fato de Ele ter separado as raças mostra que não tinha intenção de as misturar”.

Para evitar de serem presos, Richard e Mildred Loving abandonaram então o Estado da Virgínia.

Já em 1963 o casal escreveu a Robert Kennedy, na ocasião ministro da justiça, que os colocou em contato com a Associação Americana de Direitos Civis, e então começou a sua batalha legal que culminou com a decisão do Supremo Tribunal, proferida no dia 12 de Junho de 1967, que declarou a inconstitucionalidade das leis discriminatórias e que obrigou os Estados da União a modificarem as suas legislações estaduais.

Ainda assim essas modificações legislativas levaram bastante tempo: o Estado do Alabama, por exemplo, só no ano 2000 decidiu abolí-las por completo.

De fato, não é todos os dias que se consegue implementar uma legislação que contraria de forma tão drástica a vontade desse Deus todo-poderoso e o seu alto desígnio de separação dos seres humanos em razão das suas raças.

A história de Richard e Mildred Loving constitui um exemplo paradigmático de que é possível e vale de fato a pena lutar, e com sucesso, contra a intolerância e contra a discriminação, e principalmente contra o ódio que tantas pessoas nutrem pelos seus semelhantes, os seres humanos, que por qualquer motivo lhes parecem “diferentes”.

Venha esse ódio de onde vier e independentemente das razões que o motivam.

Mas o que é verdade é que tanto neste nosso país, como principalmente por esse mundo fora, há ainda um longo, muito longo caminho a percorrer…

domingo, 18 de maio de 2008

Ateus também merecem respeito

Filed under: Ateísmo, Crítica, Cristianismo, Humor, Sem noção — Tags:, — Lealcy B. Junior @ 20:08:02

Respeito pelas religiões

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